A primeira sessão da Convenção Nacional do Ensino Superior, que decorreu a 7 de janeiro em Lisboa, lançou os primeiros pontos para a definição de uma agenda política em torno do aumento da qualificação dos portugueses.

Na apresentação das conclusões deste primeiro evento, Maria de Lurdes Rodrigues, reitora do ISCTE-IUL e anfitriã nesta ocasião, sublinhou que a primeira conclusão foi que “há ainda muito a fazer no que respeita ao ensino superior se quisermos continuar a convergir com os países mais desenvolvidos”.

Poucos jovens e ainda menos adultos no Ensino Superior

Entre os dados mais preocupantes elencados por esta responsável estão o valor baixo de jovens a frequentar o Ensino Superior: Apenas 4 em cada 10 jovens estão numa universidade ou politécnico; mas também a baixa adesão dos adultos à formação ao longo da vida. Enquanto em Portugal a média de idades dos estudantes é de apenas 25 anos e apenas 20% dos alunos têm mais de 30 anos, este valor sobe para 40% em países como a Suécia e a Alemanha.

A elevada dependência das condições económicas familiares para conseguir frequentar o Ensino Superior é outra das preocupações demonstradas, ao ser apontado que “as famílias contribuem com 70% do financiamento dos estudantes” e que “só 22% dos estudantes do Ensino Superior beneficiam de Ação Social”, apesar de Portugal ser um dos países da União Europeia com mais baixos rendimentos e elevados níveis de desigualdade.

Maria de Lurdes Rodrigues, entre aquilo “que falta fazer” começou por afirmar que “falta continuar a afirmar o valor e a imprescindibilidade do ensino superior no discurso público e político: afirmar o valor e a importância do ensino superior junto dos jovens, dos adultos, das famílias e dos empregadores; não desistir nunca do trabalho de convencimento dos jovens e das famílias, dos adultos e dos empregadores de que vale a pena estudar, de que todos podem estudar”.

Além disso, foram sublinhadas várias necessidades, como “melhorar as articulações entre os níveis de ensino”, tornar mais eficientes “os apoios financeiros aos jovens e às suas famílias” e ainda garantir melhores “condições materiais de alojamento, de autonomia dos estudantes face às suas famílias e de insuficiência da ação social”.

Do lado das instituições é sublinhada a necessidade de introduzir maior flexibilidade curricular, tendo como objetivo responder à diversidade dos alunos e ainda à necessidade constante de os indivíduos voltarem ao Ensino para receber nova formação e novas ferramentas. Deve ainda existir capacidade para ” ultrapassar o fechamento, em direção a uma maior abertura social, o tradicionalismo, acolhendo a inovação em processos e produtos e o conservadorismo, aceitando a mudança.

Veja o documento completo das conclusões.