O financiamento público do Ensino Superior português está estagnado desde 2008, assinala o Observatório de Financiamento da Associação Europeia de Universidades, em números apresentados no 4th EUA Funding Forum, em Barcelona.

Neste momento estão a agudizar-se as diferenças entre a Europa Central e do Norte e a Europa do Leste do Sul. Se, por um lado, a Irlanda, a Suécia, a Dinamarca, a Finlândia e a Alemanha cada vez mais investem nas universidades, por outro, a Grécia, a Itália, a França, a Espanha e Portugal não dão sinais de quererem apostar na formação superior.

Valores que podem ser olhados com especial preocupação se tivermos em conta o persistente défice de qualificações existente na sociedade portuguesa. Segundo dados de 2018 da OCDE, menos de 40% dos jovens com 20 anos estão hoje inscritos no Ensino Superior e menos de 25% da população ativa tem formação neste nível de ensino – um valor bastante abaixo da média dos países da organização.

Portugal está 20 pontos percentuais atrás da Irlanda

Quando analisado o segmento dos jovens em início de carreira, com idade entre os 25 e 34 anos, em Portugal só 33,6% passou pelo Ensino Superior, contra 42,6% em Espanha ou 53,5% na Irlanda.

Pedro Teixeira, diretor do Centro de Investigação de Políticas de Ensino Superior e antigo vice-reitor da Universidade do Porto afirma que, “se Portugal não reagir, iremos ter uma situação cada vez mais periférica em termos de recursos humanos”, afirmando que a Convenção Nacional do Ensino Superior, que começa dia 7 de janeiro, “é importante porque é necessário aumentar o compromisso de todos com o ensino superior e decidir quais vão ser as suas prioridades estratégicas”.

O professor universitário, que é também consultor para o Ensino Superior do Presidente da República, afirma que a prioridade tem de estar na “renovação dos métodos de ensino, inovação em termos pedagógicos e aposta num ensino de qualidade ligação à investigação”.

Pedro Teixeira afirma ainda que “é preciso reforçar o corpo docente, rejuvenescê-lo, dar mais formação aos professores” e “mudar os métodos de ensino, aumentar o potencial de inovação, tornar o ensino mais experimental e dinâmico”.

Ação Social tem papel importante no desenvolvimento do Ensino Superior

Defendendo que “o Ensino Superior é um dos instrumentos mais importantes para promover a mobilidade social”, este responsável considera também ser “muito importante” que se aumente “o investimento público na ação social, facilitando a vida a muitos jovens de famílias menos favorecidas que querem continuar a estudar depois do Secundário”.

Pedro Teixeira exemplifica o carácter virtuoso do investimento em ensino superior com as finanças públicas: uma população mais qualificada consegue elevar os seus salários, logo, o Estado aumenta a sua base fiscal, pelo que recupera o dinheiro que aplica nas universidades. E, ao contribuir para uma sociedade mais evoluída, mais próspera e menos desigual, reduz também uma parte relevante dos seus gastos.

Pedro Teixeira será um dos peritos responsáveis por lançar as discussões na primeira sessão da convenção sobre o ensino superior. Essa primeira sessão no ISCTE contará nos oradores com políticos, investigadores e representantes dos estudantes. O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, estará na abertura, o Presidente da República no encerramento.