A Convenção Nacional do Ensino Superior, que em janeiro começa a discutir uma agenda para a próxima década nas universidades portuguesas, vai defender uma ligação mais forte entre o ensino e a investigação, avança António Fontainhas Fernandes, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portugueses.

O caminho passará por ter os investigadores a dar mais aulas, pela integração mais frequente dos alunos de licenciatura nos centros de investigação e ainda pela introdução cada vez maior da investigação no ensino dos vários institutos, escolas e faculdades.

Em entrevista, Fontainhas Fernandes sublinha que esta articulação é essencial para melhorar quer o ensino, quer a investigação. Defende ainda que isto permitirá melhorar a formação dos estudantes e tornar o conhecimento mais inovador e relevante socialmente.

O ensino universitário melhora com a investigação, assim como a qualidade da investigação é potenciada pela experiência de docência dos investigadores“, afirma o presidente do CRUP. Este responsável sublinha ainda que, “quando falta articulação entre os dois, o ensino perde
qualidade e a investigação perde capacidade para inovar e, por isso, perde relevância para a sociedade e diminui a sua capacidade de contribuir para o desenvolvimento
“.

O presidente do CRUP considera natural que existam dois sistemas diferentes – um para o ensino e outro para a investigação, sublinhando que ambos são necessários para produzir conhecimento. “Em Portugal o sistema de ensino é mais antigo e com raízes mais profundas, mas nos últimos 30 anos o sistema de investigação tem feito avanços extraordinários“, assevera Fontainhas Fernandes.

O desafio que será lançado pelos reitores é de “revisitar o Estatuto da Carreira Docente e o Estatuto da Carreira de Investigação no sentido de se melhorarem as condições e os mecanismos de mobilidade entre as duas carreiras“.

Componente de investigação tem de ser mais exigente

Fontainhas Fernandes defende que “a componente das aulas” nos mestrados e doutoramentos deve ser limitada e que “todos os cursos de doutoramento” deverão assentar nas atividades de investigação. O responsável crê que assim se aproveitá melhor “a experiência dos investigadores para a docência” e que será essencial “aumentar a exigência da componente investigatória“.

Além disso, o representante máximo dos reitores considera que os centros de investigação têm de se abrir mais aos estudantes das licenciaturas, considerando “imprescindível” que, “na próxima década, a iniciação à investigação comece logo nas licenciaturas“.

Uma investigação que esteja “fechada sobre si próprio, sem cultivar a difusão por todo o sistema universitário, perderá qualidade e relevância para a sociedade“, pelo que Fontainhas defende que esta maior ligação entre ensino e investigação deve ser vista como “uma prioridade nacional“.