#EnsinoSuperior2030: Reitores pretendem pacto para por fim a ‘década de estagnação’

Os reitores portugueses consideram que a última década no Ensino Superior foi de “estagnação”. Lançam, em janeiro, uma Convenção Nacional para discutir o setor e lançar bases para uma nova agenda para a década.

A iniciativa, com o alto patrocínio da Presidência da República, tem a sua primeira sessão a 7 de janeiro, no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. Os responsáveis pelas Universidades Portuguesas não escondem que lançar este evento em 2019 tem em conta que é um ano eleitoral.

“Queremos ver os partidos, os diferentes quadrantes políticos, a assimilar algumas destas ideias”, explicou o presidente do CRUP, Fontainhas Fernandes, ao jornal Público. Porém, adverte, a próxima legislatura deve servir apenas como ponto de partida para uma estratégia de médio prazo.

Os reitores consideram que, na última década, o setor estagnou, sublinhando que depois das reformas feitas em 2007 e 2009, com a entrada em vigor do Processo de Bolonha e do novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), pouco mudou.

As principais preocupações para o futuro são, neste momento, a necessidade do aumento do número de estudantes neste grau de ensino, a maior ligação entre o ensino e a investigação e uma melhor articulação entre as Universidades e a Sociedade.

Prioridade: Aumentar o número de estudantes

A sessão de 7 de janeiro, em Lisboa, terá como tema o Acesso ao Ensino Superior, com o foco na necessidade de atrair mais estudantes e de diferenciar públicos. O CRUP defende que é prioritário aumentar o número de estudantes e diversificar os públicos do setor.

Para realçar esta necessidade, é enfatizada a meta com que Portugal se comprometeu com a União Europeia: Ter 40% da população entre os 30 e os 34 anos com formação superior até 2020. Um objetivo que não vai ser cumprido. Os dados mais recentes apontam que apenas 34% das pessoas nesta faixa etária têm qualificação superior.

Para resolver o problema, as prioridades do CRUP são “pensar o acesso [ao Ensino Superior]”, “alargar a ação social e resolver o problema de alojamento universitário”. No debate sobre estas e outras questões participarão os atuais membros das equipas de gestão das várias universidades, antigos governantes, representantes dos partidos políticos e, além disso, estudantes, professores e investigadores.

A iniciativa é promovida conjuntamente pelas 15 universidades que constituem o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas.